domingo, 6 de julho de 2008

O encanto dos diários virtuais

Já se foi o tempo que diários eram usados somente por adolescentes, com a intenção de se registrar sentimentos. Agora, com a versão digital, os já conhecidos blogs atraíram centenas de internautas que, tornam públicos hábitos, rotinas, conhecimentos. Mas não são só os jovens que utilizam essa ferramenta. O mundo corporativo também foi seduzido por essa nova forma de comunicação que ganha, cada vez mais, usuários e leitores.

Mas, afinal, isso é uma tendência de mercado ou só mais uma onda que logo vai passar?

Pela primeira vez, o número de usuários de internet no País ultrapassou a barreira dos 40 milhões. Segundo estudo do Ibope NetRatings, havia 41,565 milhões de internautas no fim do primeiro trimestre deste ano. Uma pesquisa recentemente divulgada pelo Instituto de Pesquisas Qualibest, realizada por e-mail com 1820 participantes em todo o Brasil, indica que 12% do total de entrevistados acreditam totalmente e 86% acreditam parcialmente nas informações que encontram em um diário virtual. Já 72% dos entrevistados afirmaram que, por meio dos blogs, já obtiveram informações que ajudaram a formar uma opinião sobre uma marca ou serviço.

Ainda nessa caminhada, outro dia, descobri que a relações públicas Carolina Terra, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação organizacional e Relações Públicas, mestre e doutoranda em Interfaces Sociais da Comunicação e editora do blog “Rpalavreando” (http://rpalavreando.blogspot.com/), havia publicado um livro sobre o tema, o ”Blogs Corporativos, modismo ou tendência?”. Sua obra é muito interessante. Carolina comparou o mundo corporativo com blogs e como estão lidando com a era da participação na comunicação com seus públicos estratégicos.

Na minha opinião, as grandes empresas tem revelado sua preocupação em dialogar com esse público, visto o grande número de blogs corporativos já existentes no mundo. Um levantamento feito por Fábio Cipriani – http://www.blogcorporativo.net/ - afirma que existem hoje 89 blogs corporativos divididos em categorias: 21 de grandes empresas; 22 de campanhas de marketing; 37 de pequenas e médias empresas; e 9 de presidentes.

Como mais uma alternativa de comunicação e experiência, as novas tecnologias permitem agilidade no relacionamento com stakeholders e traz oportunidades que podem ser ainda mais potencializadas e estimuladas no ambiente virtual. No entanto, a autora ressalta: “É importante entendermos como funcionam tais ferramentas derivadas das tecnologias digitais a fim de facilitarmos nossas tarefas cotidianas, ao mesmo tempo em que posicionamos nossas organizações no cenário moderno/digital”.

Terra, para a pesquisa que resultou no livro, conversou com executivos que possuem blogs e concluiu que esse canal permite uma comunicação bidirecional e, principalmente, a interação com internautas. O livro ressalta ainda o poder que o consumidor presente na web ganhou com os meios digitais, dando a ele força para colaborar, participar e dar opiniões sobre as empresas e, assim, fazer parte da história das corporações.

Copio aqui uma citação que encontrei em seu livro que traduz o momento em que vivemos: “A mudança está apenas começando. Com as novas tecnologias, viveremos um constante processo de “midiaformose”. (SAAD, 2003, p. 55).

Um comentário:

Flavia Sobral disse...

Falar de blog corporativo X blogs pessoais me soa mais como uma igualidade. A verdade é que a intenção de aproximação das empresas com seus consumidores fazem com que estas se tornem praticamente uma 'pessoa física'. Personganes, como o Riuston, da Livraria Cultura, passam a falar em nome de empresas. Enquanto estas, por meio de uma disputa de voz tão justa na internet, se transformam em mais um internauta e interloucutor, conseguindo assim- ainda que haja poucos casos de sucesso - se misturar aos meros blogueiros passadores de informações, cotidianos, e tendências neste mercado tão vasto.
Enfim...uma discussão tão vasta que fica mais uma sugestão de post. Afinal, nos tempos da Internet, Pessoas Jurídicas se misturam e igualam às Pessoas Físicas? Ou tentam, mas no fundo não conseguem?

Como sempre, uma discussão muito relevante no mercado...

um beijo