domingo, 2 de novembro de 2008

Desafio virtual para os RPs

Ainda não comentei no RP em Questão, mas estou em um novo desafio profissional. Em setembro de 2008, iniciei minha jornada na Edelman do Brasil, uma das agências de Relações Públicas mais reconhecidas e respeitadas.

Já havia visitado a agência na época da faculdade, em 2002, e desde quando me interessei pelo mercado de PR 2.0, em minhas pesquisas, esbarrava com artigos de profissionais da agência comentando o assunto. A partir daí, passei a segui-los. Essa semana, me reuni com a equipe de Digital para mais um “30 minutos com Digital”. Esse foi diferente. Ele foi mais um bate-papo informal. Por conta do dia atribulado, poucas pessoas compareceram a reunião e eu me aproveitei disso para tirar algumas dúvidas com as meninas (o time é formado por seis mulheres!).

Essa conversa me ajudou a pensar muito sobre esse post, que já estava em fase de produção. Também nesse caminho, li um artigo da Thiane Loureiro, no blog da Edelman, que diz algo que concordo muito sobre a visão (ou a falta de) do mercado sobre RP:

“Infelizmente, o mercado não conhece RP e na maioria das vezes somos vistos
apenas como assessores de imprensa. Essa falta de conhecimento limita a nossa
presença na Internet. Se o cliente não sabe o que a gente faz ou pode fazer, ele
não enxerga que todas essas relações devem ser cuidadas e gerenciadas também
online. A Web é para as corporações uma arena de ações promocionais, virais e
blogs — só. Por outro lado, também existe muita falta de conhecimento dos
profissionais de RP sobre Web, como e onde atuar online. E isso faz com que seja
ainda mais complicado ganhar espaço”.

Não vou aqui construir o racional que todos já devem conhecer sobre o por quê é importante pensar no consumidor online para a boa imagem da marca. O que acredito ser importante termos em mente, como um mantra, é o fato de que, com apenas um clique, esse cliente (que tem um blog, é moderador de comunidades no orkut, passa o dia no twitter e no messenger), pode promover ou destruir a reputação de uma empresa. É nesse ponto que está a oportunidade das agências de comunicação. É aqui que mora as relações públicas 2.0.

O que para muitos parece uma armadilha, para o RP não é tão complicado. Como estudante do relacionamento que o profissional é, ele deve saber ouvir e entender muito bem o que seu público-alvo diz, pois essa é uma das premissas apresentadas na própria graduação. Na rede, isso nada mais é que a “virtualização” (acho que já usei esse termo em outro post) do relacionamento com o stakeholder.

Não estou aqui dizendo que o relações públicas não enfrentará dificuldades, pois esse é um universo novo para qualquer um que se aventurar. Tampouco, acredito que criar regras para o uso da web colaborativa nesse momento de experimentação vai ajudar. A ética pessoal e profissional de cada um envolvido nesse processo que vai “auto-regular” o que rola na internet, de forma orgânica.

No blog Coworkers, a jornalista Samantha Shiraishi, divide a mesma opinião:

“Mais do que regras, o mercado vai se auto-regular. Os consumidores do
nosso produto (a informação) são críticos e a um toque deixam de assinar o feed
ou de nos favoritar, reduzindo as visitas e fazendo o Ibope desabar. E os
blogueiros podem fazer campanha contra, o que tem um peso imenso, bom e ruim,
como todo buzz costuma ser - “falem mal, mas falem de mim”, será?”

Samantha reforça que esse relacionamento deve ser feito com planejamento e estratégia para que a interação na internet não se torne catastrófica:

“Considero que as ações corporativas na chamada web 2.0 podem ser bem sucedidas,
mas- bom lembrar - precisam de especialistas nas áreas envolvidas, exigem uma
equipe. E aqui entra minha confiança naquela habilidade (que admiro e invejo ao
mesmo tempo) que as Relações Públicas têm de planejar suas ações no mundo
corporativo. Se nós, jornalistas, fôssemos um pouco assim, muita coisa seria
diferente”.

O cenário de comunicação mudou e está em constante mutação. Todos nós podemos ter um canal de comunicação e o papel do RP, como responsável pelos relacionamentos da corporação, é estabelecer essa conversa empresa-stakeholder, escutar o que falam, identificar necessidades e interagir de forma transparente e aberta, principalmente.

Abaixo, incluo mais uma apresentação que assisti durante o curso na ESPM. Essa foi preparada por Manuel Lemos, CTO & Founder, do BlogLog e Brasigo, sobre o poder das mídias sociais, para que sirva de mais um instrumento de estudo para o nosso dia-a-dia.

5 comentários:

Cecília Castro disse...

Adorei a exclamação depois do 6 mulheres..hahaha
O que as empresas precisam entender é que a web é só mais uma ferramenta para chegar nos seus públicos. Que comunicação offline não deve acabar e que a comunicação em todos canais precisa estar alinhada.
E deixar de lado esse medo de dar a cara para bater, porque os consumidores já estão batendo de qualquer maneira. A vantagem é poder escutar para definir as estratégias.
Parabéns pelo post Edu.
bjs,
Ciça

Bruna disse...

Oi Edu,
Adorei o seu blog!
O post ficou ótimo! Alerta os RPs a terem um olhar "digital", que poucos possuem, para que possam utilizar as ferramentas da web de forma estratégica e atingir o público-alvo de seus clientes.
Bjuss,
Bru!

Thais dos Santos disse...

Acho que é uma questão de tempo para que as empresas entendam o real papel da comunicação online e deixem de acreditar que é só algo "cool" de se fazer nos tempos de hoje.
Ótimo post, Edu. Beijos

Edu disse...

Isso mesmo, meninas. Acredito que o mais importante em todo esse processo de transformação em nosso mercado de trabalho seja o profissional. Ele vai precisar entender muito mais de relacionamento, das formas que ele pode acontecer e o que pode ser feito. É um novo olhar sob a atividade, o que, como a Ciça, disse não diminui o trabalho offline, mas, sim, enriquece.
Obrigado, mais uma vez, por participarem da discussão no "RP em Questão".
Beijo grande!

Thiane disse...

Muito bom Edu. Precisamos abrir mais espaço para esse tipo de discussão. Beijos e obrigada pela menção.